As Teias da Vida
A vida é um emaranhado de fios que vai sendo tecido conforme as emoções do momento. Estamos envolvidos por essa agonia, pois é no presente que sofremos pelo que não foi feito e por aquilo que ainda queremos fazer. Seja com lágrimas que vão caindo por uma felicidade dolorosa ou com sensações de euforia pela impressão de estar no caminho certo, é o momento vivido que nos faz distinguir o que vale a pena do que deve ser deixado de lado.
Porém, a incerteza do querer de fato, muitas vezes, nos direciona para um abismo psíquico e não conseguimos traduzir em atitudes o que nos vêm à mente. Eu poderia dizer que tudo deve ser vivido com intensidade, literalmente, como uma catarse de emoções, mas o receio de pisar no escuro é mais forte do que acreditar nos sentidos. A vida é um palco experimental onde o tempo e o espaço não permitem arranjos e a única certeza é que ocorrerão os atos.
E assim vamos produzindo os nossos fios diários, ora resistentes e sólidos, ora frágeis e toscos por onde passam delicados traços de luz. E é nessa intrincada teia da vida que vamos construindo a nossa complexa dinâmica de descobertas.
Somos o que somos e tudo reflete em função do quanto e de como tecemos os dias. Se houver armadilhas no meio dessa construção, certamente seremos abatidos. Há que se ver qual é o ponto do fio: dominar uma situação, ser dominado por ela ou encontrar um equilíbrio de conduta.
Tecer um equilíbrio não significa falar em segurança.
Quem não arrisca um caminho desconhecido pode perder a chance de viver um grande momento. É como morrer e ser enterrado muitos anos depois. O medo de tecer uma teia de ilusões é tanto, que acabamos nos apegando ao que nos é familiar, conhecido, palpável.
O invisível é deixado para mais tarde; um amanhã que pode não chegar nunca. Não há código específico para acertos. Portanto, é um risco apertar o botão verde. É assim que pensamos.
Ninguém consegue traçar uma linha entre o que é certo e o que é errado para si. Não ser negligente dos seus valores e sentimentos pode ser uma saída, mas e se a luz que passa por entre os fios estiver mais iluminada e convidativa do outro lado?
E se a vontade de andar por um caminho mais longo atormentar a sua consciência? E se você começar a acreditar que tem dons de tecelão e quiser entrelaçar novas cores à urdidura?
E se de repente for invadido por uma coragem súbita a ponto de se enredar por uma trilha fria e insegura?
Certamente você vai ponderar antes de dar o primeiro passo, afinal, a vida não é um filme, e para toda causa existe uma consequência.
As nossas atitudes recaem sobre nós mesmos, quer seja um resultado leve ou que pese toneladas.
Tecer os dias é a única coisa empírica a cada um.
Torná-los diferentes depende do quanto estamos dispostos a arriscar e dar um traçado mais amplo para cada história que vivemos.
A grande sacada é encontrar a chave que abrirá uma nova porta, mas isso só acontecerá se cansarmos de olhar pelo buraco da fechadura.
M. Alyce
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