
Somente com a Minha Permissão...
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Quando digo que se algo nos acontece é com a nossa permissão, é porque, de fato, em algum momento, fizemos uma opção que levou àquilo (me refiro a questões existenciais e do quotidiano particular). A grande questão nisso tudo, é que a todo o momento estamos fazendo escolhas, optando entre a, b, c, d, etc, e é praticamente impossível termos a noção exata do quanto cada uma delas implica tanto em renúncia a todas as outras bem como das conseqüências futuras de seus desdobramentos… penso ser esse o ponto que mereça nossa atenção.
Mas então, o que fazer? Pergunta de difícil resposta, mesmo porque esse retorno diz respeito muito particularmente a cada um de nós, à capacidade de resiliência de cada um, inclusive. Em primeiro lugar, penso que seja interessante pensarmos que o “se” não existe. Coloco isso pois costumeiramente esse é o primeiro pensamento que nos vem à mente quando percebemos que tomamos uma atitude errada ou que deveríamos ter feito algo diferente, por exemplo. Pois bem, não podemos voltar atrás e fazer de outra forma. Podemos, sim, analisar o que fizemos para que não venhamos a repetir a mesma coisa exatamente da mesma forma. E é aí que a coisa complica, pois temos uma tendência medonha à repetição, aquela coisa de nem perceber o que fazemos, ou de “eu sei que não devo, mas não consigo fazer diferente”, ou, ainda, o que eu muito ouço no consultório “eu sei que não devia, mas é mais forte do que eu!”.
Então, leitoras. Não existe receita, não existe regra, até porque o que é bom para um não é bom para o outro, e por aí vai. Existe, contudo, aprendizagem, amadurecimento e conhecimento de si próprio. Procure registrar na sua “memória RAM e HD” os seus feitos e suas repercussões, de forma a usá-los como guias para suas futuras escolhas, desde as mais simples às mais dilemáticas. Saiba que a tendência à repetição vai estar ali, imprimindo a sua dura existência, mas que sempre existirão possibilidades diversas. A vida é cheia delas, afinal. A consciência de que você pode fazer diferente, além de tirar-lhe da posição de vítima do mundo – e veja bem, a vítima está sempre à mercê do algoz – e colocar-lhe como ativa na sua própria história lhe confere incontáveis possibilidades reais de fazer diferente. Mas somente com a sua permissão.”
Aline Baumer é Psicóloga
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